Os Índios Kaxinawa

Os Kaxinawa constituem uma etnia indígena localizada na fronteira Brasil/Peru, nos estados do Acre e sul do Amazonas e no leste do Peru, e falam a língua da família Pano, com pequenas variações na cultura e no idioma entre diferentes tribos.

Os primeiros relatos de contatos com viajantes consideram que os rios Muru, Humaitá e Iboiçu, afluentes do Envira, que por sua vez é afluente do rio Juruá, como região de origem dos Kaxinawa. Desde o século XVII, colonizadores já realizavam incursões nessas regiões em busca de escravos. No fim do século XIX, as invasões tornaram-se freqüentes em decorrência da exploração da borracha, intensificando-se no começo do século XX, trazendo mudanças de costumes, doenças e, consequentemente, conflitos. Alguns grupos decidiram ao longo dos anos permanecerem reclusos na mata virgem, isolados do contato com o “homem branco”, enquanto outros acabaram usufruindo deste contanto e utilizando recursos como machados e espingardas no seu dia-a-dia.

As atividades produtivas giram em torno da caça, da pesca, do plantio e da colheita. Plantam banana, mandioca, feijão, amendoim e algodão em roçados. A caça é realizada exclusivamente pelo homem, sendo aprendida desde a infância, e cercada de técnicas e rituais, como observar os hábitos de cada tipo de animal, reconhecer seus rastros e imitar seus sons. A pesca é feita tanto por homens quanto mulheres, usando principalmente o timbó, cipó venenoso, que quando diluído na água, mata os peixes e faz com que saltem na superfície, tornando mais fácil capturá-los.

A arte Kaxinawa gira em torno do Kene Kuin, estilo de desenho que, utilizando tinta de jenipapo, adorna os corpos dos membros da comunidade em datas festivas. Esse tipo de pintura também é aplicado em objetos do uso cotidiano, como cestos e esteiras.

Os Kaxinawa baseiam sua visão xamânica no conceito do yuxin. Não vêem a espiritualidade (yuxin) como algo sobre-humano ou sobrenatural, mas incorporado às plantas e animais, enfim, à natureza que os cerca. Essa presença espitirual permeia todo o fenômeno vivo na terra, na água e nos céus, segundo a concepção Kaxinawa. As longas caminhadas solitárias de alguns velhos sem o objetivo de caçar ou de buscar ervas medicinais, explicação geralmente dada,  mostram uma procura ativa de estabelecer um contato intenso com a “yuxindade”.

O uso da ayahuasca, considerado privilégio do xamã em muitos grupos amazônicos, é uma prática coletiva entre os kaxinawa, praticada por todos que desejam ver “o mundo do cipó”. O mukaya seria aquele que não precisa de nenhuma substância, nenhuma ajuda exterior para se comunicar com o lado invisível da realidade. Mas todos os homens adultos são um pouco xamãs na medida em que aprendem a controlar suas visões e interações com o mundo dos yuxin.

Fonte e imagens: http://pibsocioambiental.org/pt/povo/kaxinawa