Ashaninka

Os índios Ashaninka, também conhecidos como kampa, constituem um povo indígena com população bastante numerosa, habitando o Brasil e o Peru na região da floresta amazônica.  Procuram preservar  sua rica cultura ancestral e o meio ambiente, ensinando suas crianças a importância da preservação da floresta para sua sobrevivência e conexão com o sagrado.

Os Ashaninka contam que sempre tiveram canoas (pitotsi), casas (pãkotsi) e roçados (kaniri). Antigamente, as casas eram diferentes, tinham paredes e ficavam diretamente assentadas no chão. Hoje, são construídas sobre pilotis. Diferentemente da maioria dos outros grupos indígenas das terras baixas sul-americanas, os Ashaninka sempre usaram roupas. Veste tradicional ashaninka, a kushma constitui um elemento importante na diferenciação étnica. Cabe notar que a palavra “kushma” é de origem quéchua e, embora ela seja também usada pelos índios, os Ashaninka têm o termo “kitharentsi”, que é utilizado para se referir tanto à vestimenta como ao tear e ao tecido.

A área de ocupação dos Ashaninka estende-se por um vasto território, desde a região do Alto Juruá e da margem direita do rio Envira, em terras brasileiras, até as vertentes da cordilheira andina no Peru. Pertencem à família lingüística Aruak, sendo o principal componente do conjunto dos Aruak sub-andinos. Ashenĩka é a autodenominação do povo e pode ser traduzida como ‘meus parentes’, ‘minha gente’, ‘meu povo’. O termo também designa a categoria de espíritos bons que habitam “no alto” (henoki).

Contrariamente a outras sociedades indígenas da Amazônia, o povo ashaninka tem uma longa história de contato com o mundo dos brancos, iniciada desde o final do século XVI. Depois da ocupação da costa e da serra peruana, os espanhóis conquistam o Império Inca e iniciam sua penetração em direção à Amazônia. Os jesuítas foram os primeiros a estabelecer um contato com os Ashaninka, em 1595. Explorando a selva central a partir da cidade serrana de Andamarca, as cartas enviadas por jesuítas a seus superiores constituem a primeira fonte documentada sobre um grupo de índios Pilcozone, hoje identificado como Ashaninka.

Depois da demarcação de seu território indígena, em 1992, os Ashaninka do rio Amônia, no Acre, passaram também a executar uma série de projetos de desenvolvimento sustentável com diferentes parceiros do indigenismo, em busca de alternativas para a exploração madeireira. Iniciaram uma política ambiciosa de proteção e recuperação ambiental de seu território e procuraram comercializar alguns de seus recursos naturais, produzidos de maneira sustentável. No novo contexto do indigenismo, marcado pelo crescimento das preocupações ambientais, os Ashaninka do rio Amônia encontraram novos caminhos para proteger seu meio ambiente e, ao mesmo tempo, tirar benefícios de seus recursos naturais. Para oferecer um dispositivo legal capaz de negociar e executar projetos, bem como defender os interesses dos Ashaninka do rio Amônia, em 1991 foi criada a associação Apiwtxa, oficialmente registrada em 1993. Assim, ao longo dos últimos quinze anos, a Apiwtxa obteve financiamentos de diversas fontes e iniciou parcerias que possibilitaram a implementação de alternativas econômicas respeitosas ao meio ambiente. Os Ashaninka do rio Amônia não só adotaram o “rumo da sustentabilidade”, como são considerados hoje um exemplo muito bem sucedido da nova orientação política do desenvolvimento amazônico, buscando conciliar a preservação da natureza com alternativas econômicas viáveis para a comunidade.

Os Ashaninka possuem uma tradição de trabalhos espirituais com a Ayahuasca bem antiga. Nos rituais entre os Ashaninka, tanto o chá quanto o ritual é chamado kamarãpi. A cerimônia é sempre realizada à noite e pode se prolongar até de madrugada. Geralmente, as reuniões são constituídas de grupos pequenos (cinco ou seis pessoas). O kamarãpi se caracteriza pelo respeito e apenas os cantos, inspirados pelo chá, vêm romper o silêncio da noite. Esses cantos sagrados do kamarãpi não são acompanhados por nenhum instrumento musical. Eles permitem aos Ashaninka comunicar-se com os espíritos.

O kamarãpi existe para que os Ashaninka adquiram conhecimento e aprendam como se deve viver na Terra. Segundo este povo indígena, as respostas a todas as perguntas dos homens estão acessíveis com o aprendizado xamânico.

Fonte e imagens: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/ashaninka