Bixa ollerana L.

Divisão: Angiospermae
Classe: Dicotiledoneae
Ordem: Parietales
Família: Bixaceae
Gênero: Bixa
Espécie: Bixa orellana L.

Nomes populares: açafrão-da-terra, açafroa, açafroeira-da-terra, achicote, colorau, orucu, tintória, urucu, urucu-ola-mata, urucuuba, urucuzeiro, uru-uva.
O urucuzeiro possuí ampla gama de nomes populares pelo mundo:
Arnoto, em Ceilão; Atolé, Achiote, Bija, no Peru e em Cuba; Axiote, no México; Achiote, Achote, Anatto, Bija e Santo Domingo, em Porto Rico; Ditaque e Kifasu, em Angola; Bixa, na Guiana; Orleans Laum, na Alemanha; Roucou, Rocouyer, na França; Analto, em Honduras; Guajachote, em El Salvador; Onotto e Onotillo, na Venezuela; Shambu, no Peru; Achiote e Urucu, na Bolívia; Anatto e Anatto-Tree, na Inglaterra; Urucu, na Argentina; Roucou, em Trindad; Roucou e Koessewee, no Surinam, Noyer d’Amerique, na França.

Originária da Amazônia brasileira, este arbustro também chamado de “ouro vermelho”, fornece as sementes para o “colorau” ou “colorífico”, inicialmente muito empregado na culinária doméstica, hoje em dia, muito difundido também na culinária industrial, sendo o pigmento natural mais utilizado pela indústria de alimentos, além das indústrias de medicamentos, cosméticos e têxteis.
O urucum está presente na Carta de Pero Vaz de Caminha a D. Manoel I, Rei de Portugal, em 22 de abril de 1509: “Creia V. Majestade, a verdadeira mina do Brasil, são uns ouriços que os índios trazem nas mãos para colorir o corpo. Os ouriços são cheios de grãos vermelhos, pequenos, que, esmagados entre os dedos, fazem tintura muito vermelha, da que eles andam tintos; e quanto se mais molham mais vermelhos ficam.
Urucum em Tupi-Guarani,é “URU-KU” e significa “vermelho”.

Descrição
Arbusto de 2-9m de altura, 10 cm de diâmetro. Folhas de pecíolos largos, cordiformes, acuminadas, dispostas alternadamente em relação aos ramos, glabras folhas alternas, inteiras, simples, ovadas.
Inflorescências panículas terminais, flores vistosas, andróginas; rosadas com manchas púrpuras. Os estames são numerosos e as anteras ovais, pistilo simples e alongado. Cada inflorescência é composta por um número variável de flores (10 a 80).
Fruto cápsula ovóide loculicida com numerosas sementes ovóides recobertas por um arilo espinhoso, coloração variando de amarelo pardo a vermelho púrpuro. No seu interior, são encontradas, em média, 40 sementes.
As sementes são grosseiramente arredondadas, revestidas por uma polpa mole de coloração avermelhada, as quais tornam-se secas, duras e de coloração escura com o amadurecimento. A bixina é o pigmento presente em maior concentração nas sementes, representando mais de 80% dos carotenóides totais, sendo lipossolúveis e sujeitos à extração com alguns solventes orgânicos.
Raiz  pivotante, apresentando um eixo principal de onde saem raízes secundárias e terciárias.
Normalmente, as raízes são utilizadas na medicina popular no combate às bronquites e doenças respiratórias, contendo também um princípio digestivo.

Fenologia
Floresce, frutifica e matura durante praticamente, todo o ano. Na região nordeste do país, a primeira floração é mais intensa entre os meses de fevereiro/março, cuja colheita principal ocorre de junho/julho. A segunda floração ocorre nos meses de julho/agosto com colheita em novembro/dezembro.

Propagação
Por semente desenvolve-se satisfatoriamente sob as mais diversas condições climáticas, preferindo solos profundos, permeáveis e bem drenados.

Usos
Repelente e protetor de pele contra raios ultravioletas do sol muito utilizado pelos indígenas, também tingiam objetos de cerâmica e outros vasos de uso doméstico.
Em rituais religiosos os índios se pintam com o urucum para se embelezarem. Produção de corantes a partir do pigmento bixina contido no arilo.

A “casca” do fruto pode ser utilizada em adubação orgânica e cobertura morta; também na mistura de rações para animais. Diz-se que o lenho incendeia-se pelo atrito.
A tintura do fruto é poderoso antídoto do ácido cianídrico que é o veneno contido na raiz da mandioca.

Pode ser amplamente utilizada como planta ornamental, pois floresce e frutifica diversas vezes ao ano, conferindo um destaque entre o verde de suas folhas com o vermelho púrpuro de seus frutos, outro fator que favorece seu uso no paisagismo é porte pequeno.
Na indústria têxtil, é muito utilizado no tingimento de tecidos, também no fabrico de tintas e vernizes.
Na indústria cosmética, seus princípios são utilizados na produção de shampoos, condicionadores, delineadores líqüidos, esmaltes, sombras, bronzeadores, corretivo, maquiagem, base líqüida, contorno para lábios, tintura para cabelos, rímel, lápis olho, perfumes, etc.
Na indústria alimentícia, utilizam-se suas propriedades para dar cor às margarinas, lingüiças, salsichas, manteigas, queijos, queijo do reino, sorvetes, doces, recheios, molhos, sopas, temperos, bombons, salames, recheios de biscoitos, produtos de panificação, hambúrgueres, massas, iogurtes, sobremesas em pó, cereais, queijo processado light, cereais em barra, sorvete light e na produção de colorau – pó vermelho de uso culinário extraído no processamento de suas sementes.

Contra-indicações/cuidados: gestantes e lactantes. Tóxico para o fígado e pâncreas. Pode causar variações na taxa de glicose.
Obs.: a casca da semente tem efeito tóxico ao pâncreas e fígado, acompanhado de hiperglicemia e aparente aumento de insulina.
Obs.: Os extratos etanólicos do fruto e folhas mostram atividade antibacteriana in vitro sobre Staphylococcus aureus, Escherichia coli e Salmonella typhi.

Propriedades terapêuticas: expectorante, bronquite, faringite, doenças pulmonares, asma, febre, moléstias cardiovasculares, ferimentos, queimaduras, inflamação, hipotensor, vermífugo, digestivo, emagrecimento.
Princípios ativos flavonóides, flavonas, ácidos fenólicos, açúcares livres, ácidos graxos saturados, carotenóides, bixinos, norbixina, vitamina C.
Também é encontrado como antioxidante: Geranilgeraniol e Tocotrienois – bloqueia o efeito danoso dos radicais livres e são os responsáveis pelo retardamento do envelhecimento das células.

PLANTAS MEDICINAIS – USP: http://ci-67.ciagri.usp.br/pm/ver_1pl.asp
EPAMIG – Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais: http://www.epamig.br/index.php?Itemid=68&id=362&option=com_content&task=view
INFOBIBOS – Informações Técnológicas
http://www.infobibos.com/Artigos/2008_1/UrucumTaxon/Index.htm
PLANTAMED – Plantas e ervas medicinais e fitoterápicos: http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/Bixa_orellana.htm